Crise nos Super-Herós Brasileiros:
Capítulo 07

"Universo Sitiado"
Por Leonardo Melo e Fábio Ochôa

Belo Horizonte, Minas Gerais.
Chuvisco implorava para que os poucos transeuntes que via na rua parassem e pelo menos dessem uma olhada na foto do homem franzino que tinha em mãos. Segurava-se para não chorar, concentrando todos os esforços no trabalho.
Aruanã percorria quadras o mais rápido que podia, olhando em todas as direções. Atravessou quarteirões olhando em pouco tempo, mas não encontrou nem sombra de seu desaparecido colega de equipe.

- Nem sinal por aqui, Ultrax. – Disse o indígena com sua voz vazia.

O Defensor da Pátria sobrevoava a cidade na direção oposta.

- Nem aqui, Aruanã. Capitão, conseguiu alguma coisa?
- Acabei de sair do bar indicado pelo Detetive Lopez, Ultrax. – Respondeu o líder pelo comunicador. - O homem quase me xingou. Não agüentava mais ouvir falar no Srbek ou em Nitron.
- Onde você está agora? – Disse a voz metálica no comunicador do Capitão.
- Num posto de gasolina. Deseje-me sorte.

Aproximou-se com receio dos frentistas e tentou parecer amigável. Um homem negro o encarou com olhar frio enquanto ele se dirigia à porta da loja de conveniência. Evitou encará-lo. Um outro frentista mal-encarado e com a barba por fazer o viu passar mas ignorou-o.
Quando passou pela porta, entretanto, deu sorte. O homem por trás do balcão era seu fã.

- Capitão Brasil! Não acredito! É... é o senhor, mesmo?
- Sou.
- É uma honra, senhor!!! Meu avô serviu com o senhor na segunda guerra! Só um minuto que eu vou pegar a foto lá no...
- Calma, filho, calma! Olha, fico muito feliz que seu avô tenha servido o país, mas estou com muita pressa! Me diga... viu este homem por aqui? – Mostrou a foto de Srbek.
- Hmm... sim, eu vi, sim.
- Tem certeza?
- Claro, passou por aqui não faz nem uma hora. Parecia perdido. Perguntou pra que lado ficava a estrada para São Paulo.
- Perguntou... obrigado, filho!!! Sua ajuda foi de muita valia!!! – Saiu em disparada pela porta, sem se despedir.
- Fico feliz em ajudar! Ei, pode pelo menos me dar um autógrafo??
- Depois!!!

E deixou o homem sozinho atrás de seu balcão empoeirado.

- Hmpf. Bem que diziam que ele não era lá grande coisa...

O Capitão Brasil corria pela avenida fazendo o caminho de volta.

- Atenção, Defensores!!! Atenção, Defensores!!! Tenho uma pista!!! Voltem para o jato já!!! Ultrax, entre em contato com a polícia rodoviária e peça para bloquearem as saídas do estado!!! É urgente!!! Repito: é urgente!!!
-
Ok, Capitão, estou ajustando a freqüência de rádio e voltando pro jato. Câmbio, desligo!

***


-
Tá e pode me explicar pra que porra esse merda enrolado na porra da nossa bandeira de merda quer que a gente bloqueie a porra das estradas?
- Vai lavar a boca e faz o que eu tô mandando, Rodriguez!
- Mas nem fodendo capitão!!! A porra do mundo tá acabando, não se ligou, não?? Eu vou é pra casa com a minha família! Quem está comigo???

Alguns policiais do posto na estrada responderam afirmativamente, outros não. Alguns poucos ainda reconheciam a autoridade de seu capitão, ainda que o mundo fosse irreal. Mas a maioria foi embora.
Felizmente, os que ficaram estavam em número suficiente para fazer um bloqueio.

- Ih, xará... que diabo será que está acontecendo lá na frente? – Disse o motorista do caminhão.

Srbek suou frio ao seu lado enquanto o caminhão foi diminuindo a velocidade, até parar.

- Pois não, policial?
- Desculpe, mas não pode passar desse ponto. A estrada está bloqueada.
- Como assim?

Enquanto o policial explicava para o motorista, Srbek ouviu um ruído familiar. Pôs a cabeça para fora e teve certeza. Não esperou o jato aterrissar à frente do bloqueio. Abriu a porta e pôs-se a correr pelo acostamento.

- Ei, pare aí!!! Pare ou eu atiro!!! – Gritou o policial, sacando sua arma.

O jato mal aterrissou e os Defensores da Pátria saltaram. O Besta, ainda em sua forma humana, assistia à cena com um quê de curiosidade.

- Tudo bem, policial, pode deixar conosco, agora! Obrigado! – Disse o Capitão Brasil ao passar do lado dele.
- Srbek, pare aí!!! Você sabe que é inútil!!!

Ultrax gritou, mas foi o mesmo que dizer nada. Srbek continuou correndo e pulou o arame farpado da cerca de uma fazenda.
Correu pelo mato e jogou-se no chão, rastejando. Ultrax perdeu-o de vista.

***

Um imundo Lobo Guará andava por ruelas de São Paulo que ele conhecia bem. Reconheceu uma motocicleta estacionada próxima a um bar.

- Mas que po... que... que merda minha moto tá fazendo ali?

Colocou a mão no bolso da calça. As chaves ainda estavam ali. Sem hesitar, subiu em cima da máquina e ligou o motor.

- Lobo... que porra você aprontou na noite anterior? – Falou sozinho enquanto saía roncando pela rua.

***

Ao lado de uma gárgula, Devastador hesitava. Ele vestia um uniforme e uma porção de dúvidas. Deus realmente não existia? Deus estava brincando com todo mundo? Era isso? Estava brincando e dando risada?
Não sabia. O herói cego não tinha respostas. Ergueu-se, de pé. Estava pronto. Iria pular. Iria desvendar esse mistério de uma vez por todas. Se o mundo fosse irreal, ele não tinha nada a perder. Se fosse tudo besteira, então ele ainda poderia encontrar Deus do outro lado e exigir uma resposta.
Na pior das hipóteses, se livraria do pesado fardo que sua vida se tornou.
Mas foi então que ouviu uma voz.

- Vai, demônio. Pula.

Não havia prestado atenção nos batimentos cardíacos que se aproximavam. Mas soube de quem era a voz assim que a ouviu. Era a voz que lhe atormentava em seus pesadelos.

- Não tem coragem. – Dronn, o mercenário, sorriu. Seu característico sorriso insano. – Está deprimido, é? Tá com dodói?

O herói esboçou um sorriso sem graça, enquanto pensava que suas dúvidas estavam se dissipando. “Não”, pensava. “Deus existe, de fato.”
Dronn chegara à Terra anos antes, e logo viu a oportunidade perfeita para enriquecer oferecendo seus serviços ao submundo. Mas atuava no território do Devastador, o que fez de ambos inimigos declarados. Não tardou para que Dronn descobrisse sua identidade secreta. O resto, como dizem, é história.
Devastador lembrava da história. E decidiu, pela primeira vez em toda sua vida, dar vazão à sua fúria, e saltou para cima do Mercenário. Os dois nêmesis começaram a se emaranhar numa violenta batalha, sabendo que seria a derradeira.
O vilão acertou as costelas do herói, mas este conseguiu atingir-lhe o queixo. Dronn não se deu por vencido. Aplicou uma chave de braço no pescoço de seu inimigo, que desequilibrou-se por um instante.
O suficiente para os dois precipitarem-se numa queda de mais de 30 andares. O vilão não ligou, sabia que o Devastador iria salvar a ambos.
Em verdade, ele hesitou por um instante. Dronn percebeu, mas respirou aliviado ao ver seu antagonista disparar o cabo de seu bastão, que prendeu-se numa gárgula e balançou os dois. Mal sabia ele que o herói estava tramando algo ainda pior.
Usou o impulso para livrar-se de Dronn e jogá-lo para baixo. Ele bateu numa parede antes de cair em frente à entrada do metrô. O demônio-herói aterrissou com segurança à sua frente e não perdeu tempo. Agarrou-o e os dois caíram pelas escadas, quebrando-se pelo caminho.
O Mercenário cuspiu sangue.

- Ficou louco? Que foi que te deu hoje?
- Você vai ver.

Acertou mais um murro e os dois atravessaram as catracas. Foram trocando golpes até ficarem perto do metrô.
Não havia ninguém lá.
Mas Devastador ouviu o metrô chegando.
E sorriu.

- Gasp!!! – Dronn sentiu o cabo do bastão do demônio apertando seu pescoço e puxando-o. – M-mas que...

E foi jogado com força nos trilhos do metrô. Matt pulou junto dele e continuou agarrando seu pescoço com o cabo, de forma que ele não conseguisse fugir. O metrô estava vindo.

- Que diabos está fazendo, seu desgraçado??? – Tentou gritar, com o ar já lhe escapando.
- Você só me fez sofrer, Mercenário. Matou minha amada. Matou meu pai. Matou centenas de inocentes em sua vida doentia. E nunca recebeu o troco. É hora de fazer um pouco de justiça.
- Não tem coragem, herói!!! Não tem coragem!!!
-
As coisas mudaram, meu amigo.

E a última coisa que o vilão ouviu, com a luz do metrô já cegando seus olhos, foi:

- Eu não me importo mais.

E o barulho do metrô passando ecoou pelos corredores vazios.

***

Curitiba.
Tal como os Defensores da Pátria, a Liga de Heróis do Capitão 7 separou-se para tentar encontrar o seu suspeito. Mas eles não tiveram tanta sorte quanto a outra equipe.

- Aberrações!
- Mutunas!
- Voltem pra caverna!
- Nos deixem morrer em paz!!!
- Tudo culpa de vocês!!!
- Saiam daqui!!!
- Fora!!!
-
Saiam daqui!!!

Gloriosa foi atingida por um tomate. Kutang estava a seu lado e não soube o que fazer.

- Hã... Capitão? Estamos com problemas aqui. Como estão indo?
- Que problemas, Gloriosa?
-
Estamos prestes a sermos linchados!!!
- O quê?
-
Foi o que você ouviu! Como estão as coisas aí?

O Capitão 7 estava num beco sendo cercado por uma população com cara de poucos amigos.

- Hã... não muito melhores...

***

Em outra parte, Gralha finalmente encontrava seu parceiro.
Ou ex-parceiro...

- Por isso você não atendeu a mensagem? Por isso?
-
Eu estou confuso, tá legal? Não sou como você, senhor “eu vou caçar criminosos e foda-se o mundo”! Há vida lá fora, sabia? – Daniel apontou para os arranha-céus que haviam perdido sua sombridade devido ao clarão no céu.
- Sim, há vida. E para que a vida continue a existir é que nosso trabalho é tão importante. Agora... você vem conosco ou não?

Daniel Moro virou o rosto, evitando encará-lo.
Segundos depois, um irritado vigilante cruzava sozinho os arranha-céus de sua cidade.

***

Mansão dos Defensores da Pátria.
Doutor havia adormecido no sofá, ao lado da esposa, sentado. Exausto. Caíra para o lado abraçado à esposa e sua cabeça espalhou-se pelo chão, mas não acordou de tão pesado que estava o sono.
Abriu os olhos em um momento, entretanto. E o pequeno garoto loiro estava de pé ali na sala, observando-os.
Recompôs-se, surpreso.

- Olá. Já acordou?
- Eu tive um sonho ruim.
- Mesmo? Bem, fale baixo para não acordarmos a Mulher Fantasma. Vamos lá para a cozinha.

Lá chegando, Doutor preparou um achocolatado para o garoto enquanto ele contava seu pesadelo sobre o fim do mundo.

- Você... só está... assustado... com essa situação toda.
- E você, não?
- Me pegou. – Sorriu, sem graça. Sentou-se ao lado dele enquanto pensava. Parecia mais conformado depois de duas horas de sono.
- Vocês vão dar um jeito?

Doutor recostou-se na cadeira, procurando uma resposta. Hesitou alguns segundos e o que lhe veio à mente não foi uma explicação, mas sim, outro questionamento.

- Garoto... tem alguém que ganharia com isso? Há alguém que gostaria de ver nossa realidade destruída?
- Você sabe disso melhor do que eu.
- Sim, mas... não estou falando de nossos antagonistas que sempre quiseram destruir o Universo com seus propósitos doentios... isso era parte do jogo. Mas alguém... alguém que ganhasse... deixando de existir?
- Hmmm... como é que eu vou saber disso? Você é o gênio, oras!!!

Doutor sorriu. Uma mistura de graça e embaraço. Até que algo estalou em sua mente.

- A menos... é claro!!!

Saiu da cozinha rapidamente, assustando o garoto.

- Rodolfo!!! Rodolfo, onde está você? Mulher Fantasma, acorde! Acorde!!!

A Mulher despertou, assustada.

- Hm? Doutor? Que foi?
- Precisamos ir ao Edifício Bexter checar algo!!! Vamos!!! Rodolfo!!!
- Estou aqui, Doutor.
- Nós vamos ao Bexter e já voltamos. Tome conta do garoto, sim?
- Claro! Fiquem tranqüilos! Podem ir!

Rodolfo olhou pelos fundos a decolagem da Excelenave. Assim que partiram, voltou-se para dentro, com um sorriso que não lhe era pertinente.

- É claro que eu tomo conta dele, Doutor...- Entrou na cozinha e pegou uma faca afiada. – Afinal, nas histórias policiais... o assassino é sempre o mordomo...

***

Mansão Y.
A mansão estava perto. Lobo sorriu de alívio ao ver os portões a menos de um quilômetro. Mas estranhou o fato de Raio Negro estar ali, de uniforme.

- Ah, lar... e aí, Raio, seu bolh...

A frase foi interrompida por uma rajada de Raio Negro, que destruiu sua moto e fez Lobo beijar o asfalto, rolando e rasgando-se por metros a fio.
Recuperando-se da surpresa, logo foi tentando se levantar...

- Ungh... mas que... que merda, Raio Negro!!! Tá sob controle mental, é?

A resposta foi um ataque telecinético que jogou Lobo Guará no ar, colidindo com um tronco de árvore, tirando-lhe o fôlego.

- Engraçado, meu amigo... – Disse a Garota Mental, aproximando-se. – Nós íamos perguntar a mesma coisa...

E um brilho negro apossou-se dos olhos de Jenny...

***

- Ei, Rodolfo, não tinha um quarto com brinquedos nessa casa antigamente?

O garoto andava pelos corredores, que pareceram-lhe mais sombrios do que antes.

- Rodolfo?

Não obteve resposta. Tentou se convencer de que não havia motivo para ficar assustado. Estava seguro ali.

- Rodolfo?

Não estava?

***

O veículo aterrissou no Edifício Bexter e Doutor saiu em disparada em direção ao laboratório, seguido da esposa.

- Doutor, quer pelo menos me dizer o que você descobriu?
- Não descobri ainda, Mulher Fantasma! Quero apenas checar algo!
- O quê?
- Você já vai ver.

Digitou coisas aleatórias em um computador, intrigado, enquanto Mulher Fantasma observava curiosa, um mapa se formar no monitor.
Um mapa de dimensões. Até que encontrou o que procurava.

- Sim! É possível!
- O que é possível, Doutor?

Digitou algumas coordenadas no computador e deu o comando para ativar uma das máquinas. Ela começou a funcionar com energia pulsante, até finalmente abrir um portal.

- Fugir, Mulher Fantasma. – Disse, enquanto ambos encaravam o portal. – Fugir para a Realidade.

Mulher Fantasma não compreendeu direito as palavras do marido. Mas até aí, não havia muita novidade.

- Venha, Mulher Fantasma. Pegue Francisco e vamos voltar à Mansão. Temos que avisar os outros.

Doutor desligou o portal e saiu dali tão rápido quanto havia chegado.
Nenhum dos dois percebeu uma figura que os observava. Uma figura que aproximou-se do computador...

- Ora, ora... muito obrigado, Dr. Fantástico...

E ligou novamente a máquina, reabrindo o portal.
Sem mais delongas, adentrou-o, mas não sem antes deixar algo para trás.
Uma bomba-relógio programada para explodir em 5 minutos...

***

- Áááááhhh!!! – Gritou ao ver o mordomo, com olhos irados, os dentes cerrados e uma faca em punho, pronta para dar um golpe mortífero.

E deu, mas o garoto foi rápido e conseguiu escapar. Correu em desespero. As pernas curtas não o impediram de ganhar velocidade, conseguida com a vontade de quem quer viver.

- Volte aqui, pirralho!!!

Rodolfo gritou. Não poderia ser ele. Não o doce e gentil Rodolfo de sempre.
Puxou uma fruteira que estava no caminho, que caiu atrás dele, interpondo-se entre ele e o mordomo que o perseguira. As frutas esparramaram-se pelo chão, ao passo que a fruteira trancou a porta da cozinha enquanto o garoto fugia pela porta dos fundos.

- Não pense que pode se esconder de mim!!!

Mas pôde. Quando Rodolfo saiu pela porta, não viu mais sinal do garoto. Caminhou pela grama com pressa, mas era inútil. Não havia mais tempo.
Largou a faca e voltou para dentro da mansão.
Pouco tempo depois, ouviu-se uma explosão.

- Oh, não. – Disse Doutor na Excelenave, olhando para trás.
- O... o que foi iss... meu Deus! Não!!! – Um frio gelou-lhe a alma ao ver as chamas dançando sobre o Edifício Bexter.
- Burro! Burro! Burro! Eu deveria tê-la deixado lá, Mulher Fantasma!!! Vigiando!!!
- Vigiando o quê?
- Era óbvio que o assassino iria escapar para a Realidade para salvar a própria pele! E lá era o lugar mais provável em que ele iria fazer isso!
- E há outro?
- Boa pergunta...
- Pai! Que aconteceu?! Vocês estão me assustando!
- D-desculpe, Francisco! É uma tragédia, filho! Uma tragédia! Mas não temos tempo a perder, temos que... temos que continuar...

***

Em Curitiba, o Capitão 7 alçava vôo para evitar um conflito desnecessário com uma multidão ensandecida. Voltou a concentrar-se na missão e passou a procurar um sinal do Bagre Humano. Qualquer coisa...

- Achei!!!

Não foi difícil chegar até o monstro enquanto comunicava a posição aos demais.
Gralha chegou ao local a tempo de ver o Bagre Humano atravessando o chão ao ser empurrado pelo Capitão 7. Mulher Maravilha e Ájax também não demoraram.
Ele viu que estava encurralado. Não havia mais o que fazer a não ser se entregar.

- Chega de fugir, Bagre Humano. E então? Vai falar a verdade ou vamos ter que arrancar de você?
- A verdade, Capitão 7? Mas é claro. É claro que eu vou falar a verdade...

Disse isso encarando o olhar frio do Paladino das Araucárias...

***

Em outra parte da cidade, o Ogun aproximava-se das janelas do Hospital. Após uma rápida procura, encontrou o que procurava e entrou no quarto.

- Ogun! Que surpresa! O que faz aqui? – Indagou um surpreso Velocista.
- Vim ter com teus amigos, Velocista.
- Conosco? Se veio nos trazer de volta... – Adiantou-se o Homem Lua.
- De forma alguma. Pelo contrário. Gostaria que ajudassem-me a reunir os demais desertores.
- A fim de quê?
- A fim de convencermos nossos ex-companheiros a pararem com essa loucura. A deixar de lado tal canalhisse cósmica e permitir que nossa Realidade siga seu rumo.

O quarto de hospital silenciou. Velocista baixou a cabeça, seguido de todos os outros.

- Deixar que ela morra, você quer dizer?
- Deixar que vosso sofrimento se esgote.
- Hm.
- Que me dizes?
- Só conversar?
- Apenas isso.
- Tá, eu topo.

Homem-Plástico interviu:

- Olha, desculpem. Eu não vou tomar parte disso. Vou ficar aqui com o Velocista.
- Muito bem. Lua?
- Vamos. – Respondeu, seguido pelos demais.

Partiram com pressa e Velocista agradeceu a companhia do amigo.

- Cara, o que eles pretendem? Você sabe qual o plano? Como pretendem deter a destruição?
- Não vai me dizer que...
- Não, não quero participar. Era... só... curiosidade...

***

Em BH, Calibre acendeu um fósforo e a plantação pegou fogo. Srbek se viu obrigado a correr de pé novamente, mas colidiu em cheio com o peito do Capitão Brasil.

- Vai a algum lugar, soldado?

Não deu ouvidos a ele, virou para o outro lado e continuou a correr, mas foi então que uma rajada propulsora explodiu à sua frente.
Srbek caiu, afundando-se na terra. Olhou para os lados enquanto levantava-se e percebeu que estava cercado. Não havia mais para onde fugir.

- Oh, não... por favor... eu não fiz nada de errado... por favor... – Começou a chorar, tremendo sem saber por quê – Por favor, deixem-me ir...
- Se não fez nada, não tem o que temer, Srbek. – Disse a voz metálica de Ultrax.
- Por favor, por favor, não...
- Nem mais um passo, Defensores!!! – Alertou uma voz eufórica que se aproximava.

Viraram-se para encarar seu dono dela e viram um homem estranho num uniforme rasgado. Parecia cansado, sujo de lama e de sangue. Mas mais do que isso, parecia extremamente irritado e chegava correndo.

- Esse calhorda aí é meu!!!

Assim disse Nitron, prestes a golpear Srbek...

Fim do Capítulo 07

 

“A função do artista não é apenas retratar a realidade. Mas lutar para torná-la melhor.” – Fernando Lopes.