Entrevista com Leonardo Melo
Esta entrevista foi concedida a Fulvio Pacheco, em sua tese de Pós-Graduação.
Como surgiu o Quadrinhópole?
Desde meados de 2000 eu comecei a freqüentar a Gibiteca, onde conheci o André Caliman, o Joelson Souza, o Anderson Xavier e outros. Todos tinham vontade de publicar e desde aquela época, fomos nos aprimorando nos roteiros e nos desenhos. Eu procurei praticar minha escrita com fan fictions no site da Quadrim e li os livros do McLoud, além de sempre pedir a opinião de quem era mais experiente para ver como podia melhorar. Os desenhistas freqüentavam o curso do José Aguiar e foram melhorando cada vez mais. Hoje, inclusive, muitos deles trabalham na área. Finalmente, em 2006, vimos que estávamos num ponto bom para começar. As idéias estavam à mil e resolvemos aproveitar o aniversário da Gibiteca em Outubro para lançar a número # 01. Felizmente conseguimos publicar em um material muito bacana (são 32 páginas em papel couchê) e as histórias agradaram os leitores, tanto nesta parte gráfica quanto nos roteiros/ desenhos. Apesar de ser um trabalho amador (a princípio) e ter saído com alguns errinhos, recebemos vários elogios, tanto de leitores quanto de profissionais da área, e pudemos corrigir estes erros na segunda edição, que foi lançada em dezembro do mesmo ano. Agora, a tendência é ir melhorando e deixando a revista cada vez mais com uma cara profissional.
Quem fazia parte? Quem passou pelo grupo?
Começamos com o grupo que originalmente se conheceu na Gibiteca. Eu fui o responsável pela maior parte dos roteiros, enquanto os desenhos ficaram por conta do André, do Joelson e do Anderson. Ainda assim, faltava uma história para fechar primeira a edição e entrei em contato com o Pablo Casado, da Napalm! Comics, lá do Alagoas. Ele tinha uma história pronta desenhada pelo Thiago Oliveira, que felizmente agradou muitos leitores. Na segunda edição, entrou o Isaac Santos e alguns colaboradores mais veteranos, como Abs Moraes e Jean Okada. Por enquanto, são estes nomes que estão colaborando com a revista, mas há muita gente querendo participar. Estamos selecionando o material e encaixando de acordo com o cronograma.
Qual era o objetivo?
Nosso objetivo sempre foi oferecer quadrinhos alternativos, mas queremos primar pela qualidade. Por isso, fugimos do convencional "super-herói", que é um gênero que já está malhado, e nos voltamos mais para aventura, ficção, horror, suspense, drama... esse tipo de coisa. Também há histórias de humor, mas voltadas mais para o "lado negro da força", por assim dizer.
Como você descreveria suas histórias em quadrinhos quanto ao estilo e ao enredos e os Personagens ?
Eu procuro escrever roteiros de diferentes gêneros e estilos e tento oferecê-los a desenhistas que tenham o traço mais de acordo com a história. As histórias do imortal Jason de Ely, por exemplo, seguem uma linha mais "aventuresca", mas o faz num contexto histórico, já que ele atravessa a Idade Média, Moderna, Contemporânea e além, interferindo ou fazendo parte de pontos-chave da história da humanidade. O traço do André ficou perfeito na história e poderíamos enquadrá-la como ficção histórica / fantástica. Mas há outras histórias mais urbanas, como foi o caso do "Sequestro Relâmpago" da primeira edição, que já se encaixaria numa espécie de drama policial e foi desenhada pelo Joelson. Por outro lado, a partir da segunda começamos a publicar "Insanidade", um conto de suspense com uma certa tensão psicológica, que levou o lápis do Isaac Santos. E também há o humor negro de "Campo de Feijãotração" e o clip desenhado de "Papai Noel, Velho Batuta". Enfim... os gêneros são diversos e esperamos, com isso, agradar o maior número de leitores possível.
Segue uma linha específica?
Como já havia mencionado, estamos seguindo essa linha alternativa, de ficção, aventura, horror, suspense e drama, independente de onde a história seja ambientada. Muitas pessoas acham que porque algumas personagens têm nomes em inglês, as histórias se passam nos Estados Unidos, mas não é nada disso. Há histórias que se passam no Brasil, embora não deixemos claro aonde, e outras em lugares ignorados. Os nomes em inglês muitas vezes são referências a personagens de filmes. Procuramos evitar aquele nacionalismo exagerado que, a meu ver, produz histórias de baixíssima qualidade, com raríssimas exceções. Não é porque estamos produzindo quadrinhos nacionais que os quadrinhos têm de ser nacionalistas. Esta é uma confusão que freqüentemente ocorre, infelizmente.
Voltado para qual publico?
Nossos quadrinhos são voltamos para o público mais adulto, mas estamos buscando leitores que podem ou não já ter alguma afinidade com os quadrinhos. Por isso temos a idéia de fazer interação com outros tipos de arte, como foi o caso da segunda edição, com a música, quando produzimos o clip dos Garotos Podres na revista e trouxemos eles para fazer o show de lançamento. Na terceira, a idéia é adaptar uma peça de teatro e fazer alguma promoção quando a peça for exibida. E há planos para outras artes, como dança, cinema e o que mais surgir. Esperamos, com isso, fazer uma boa troca entre os diferentes públicos e divulgar a revista para outros tipos de leitores em potencial.
Qual a relação com a Gibiteca?
Tudo começou na Gibiteca. Não dá pra falar da Quadrinhópole sem falar da Gibiteca, pois todos somos "crias" de lá e ainda estamos lá fazendo planos maquiavélicos para dominar o mundo. Nós somos as "traças" da Gibiteca e ela é nosso quartel general.
Mais alguma informação informação (ou um caso pitoresco) sobre o Quadrinhópole?
Quem tiver interesse em conhecer nosso trabalho ou queira entrar em contato, pode acessar nosso site, www.quadrinhopole.com. Lá tem previews das histórias, blogs do pessoal, informações sobre as personagens, eventos de lançamentos e alguns casos pitorescos, também.